terça-feira, 25 de novembro de 2008

Shub-Niggurath

Shub-Niggurath - C´Etaient De Tres Grands Vents (1991)
Shub-Niggurath: algo mais do que uma entidade sobrenatural (foto abaixo) criada por H.P. Lovecraft?

Em nosso caso sim. Este quinteto francês foi formado em 1983 e pratica um sub-gênero de rock progressivo de vanguarda conhecido como Zeuhl. Este estilo foi criado pelo também francês Magma, sob a batuta de seu líder e baterista Christian Vander por volta de 1971 e tomou como referências o jazz avant-garde, a música moderna, a neo-clásssica e o fusion. Interessante frisar que a maioria dos (poucos) conjuntos do estilo é francês.

Confesso que ao adquirir esse segundo CD do conjunto em meados de 1993 tomei um grande susto, pois numa primeira audição o que ouvi não foi muito bem a definição de Zeuhl supracitada, mas sim uma sonoridade tensa, sombria, pavimentada sobre ruídos de instrumentos vintage invariavelmente distorcidos (baixo, trombone, órgão e percussão) e improvisos mais parecendo afinação desses instrumentos. Recordo-me que o vendedor da loja Rock Forever (Galeria do Rock, SP) me perguntou: tens certeza de que vais comprar isso? Comprei e o ouvi várias vezes para ao menos tentar compreender sua proposta. E concluí que a mesma é absolutamente original e ousada, porém acredito não estar baseada na definição de música que aprendemos no dicionário: a fusão de melodia, harmonia e ritmo.
Para que se tenha uma melhor noção dessa sonoridade situo-a entre o “Electronic Meditation” (primeiro álbum) do alemão Tangerine Dream e dos trabalhos mais radicais do imortal Frank Zappa. Sendo ainda mais claro, é difícil sua compreensão até mesmo para os admiradores do Rock In Opposition (e olha que o vendedor da loja curtia Univers Zero!), e suas músicas, como não poderiam deixar de ser, são preponderantemente instrumentais.
Aos interessados no estilo com certeza uma grande banda. Para os não inteirados, sem dúvida a classificarão como “lixo” (tentei procurar uma palavra mais branda, mas não a encontrei...). De qual lado estou? Ora, dos primeiros!
Abraços e bom divertimento (ou, dependendo o caso, tortura)!
Músicas:
1. Glaciations (7:34)
2. Ocean (6:18)
3. Promethee (5:38)
4. D'un Seul Et Meme Souffle (6:31)
5. La Nef Des Fous (3:17)
6. Contrincante (5:11)
7. C'etaient De Tres Grands Vents (10:51)
Músicos:
Alain Ballaud: Baixos;
Sylvette Claudet: Vocais;
Jean-Luc Herve: Guitarras, harmônio e piano;
Michel Kervinio: Bateria (faixas 2 e 3);
Edward Perraud: Bateria (faixas 1, 3, 4, 5 e 7);
Véronique Verdier: Trombone.
Texto: Adrian Marcatto

Daniel Denis

Daniel Denis – Sirius and the Ghosts (1991)

Daniel Denis é um compositor, baterista, percussionista e tecladista belga. Do começo de sua carreira, em 1970, até hoje trilha o rock progressivo de vanguarda, ou seja, aquele menos aceito e compreendido pela grande mídia (e até mesmo por muitos fãs de progressivo).

Iniciou suas atividades no Arkham, um trio instrumental belga, em 1970. O Arkham era influenciado pelo rock e jazz praticado por conjuntos ingleses como Soft Machine e Nucleus, mas infelizmente não registrou nenhum trabalho de estúdio na época. O que se conhece é um CD editado em 1994 pela gravadora norte-americana Cuneiform Records com composições extraídas de ensaios e de algumas poucas apresentações da banda entre 1970 e 1972.

Em seguida Denis teve uma rápida passagem pelo conjunto francês Magma, outro de vanguarda (o qual pretendo comentar em outra oportunidade), até que fundou com o guitarrista Roger Trigaux o Univers Zero em 1974. Com o UZ gravou cinco álbuns e um mini-album de 1977 até este seu primeiro trabalho solo “Sirius and the Ghosts” em 1991.

A bem da verdade pouco da sonoridade do UZ encontra-se nesse álbum e, até por isso, alguns críticos e fãs do UZ “torceram o nariz” para ele. Particularmente encaro esse trabalho como uma demonstração da versatilidade de Daniel Denis como excelente compositor e instrumentista que sempre foi. Neste trabalho as (poucas) reminiscências de UZ vêm de seus álbuns menos radicais, como Uzed (1984) e Heatwave (1986), por exemplo. Suas músicas (todas instrumentais) são mais brandas e fundamentadas em baixo, violoncelo, sopros, teclados e percussão (os dois últimos executados com maestria por Denis). Em suma, um ótimo álbum de música progressiva instrumental, com toques de jazz e do rock in opposition já conhecido pelos admiradores do estilo.
Como artista solo Denis ainda lançaria um último álbum em “Les Eaux Troubles” em 1993, seguida de uma participação de quase 7 anos pelo francês Art Zoyd até seu retorno com o Univers Zero em 1997, onde permanece até hoje.

Interessante citar que o crítico Valdir Montanari em meados da década de 90 escreveu: “... os fãs de música erudita não aceitam sua face rock [a de Denis] e os fãs de rock não aceitam sua face erudita!”. Concordo com ele, mas esse é o preço que os desbravadores costumar pagar pela sua coragem...

Abraços e divirtam-se!

Músicas:
01- Beyond the Mountains (9:52)
02- A l'Ombre du Zed (8:04)
03- Eastwave (5:34)
04- Sirius (6:52)
05- Strange Twist (7:37)
06- Fête Souterraine (7:35)

Músicos:
Daniel Denis: bateria, percussão e teclados.
Frederik De Roos: flautas.
Dirk Descheemaeker: saxofones e clarinetes.
Michel Hatzigeorgeou: baixo.
Jan Kuijken: violoncelos (elétrico e acústico).
Texto: Adrian Marcatto

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Bathory

Bathory – Hammerheart (1990)

O primeiro álbum de “Viking Metal”?

Pode não ser, pois outras brandas já haviam abordado o tema antes (o sueco Heavy Load e norte americano Manowar só para citar duas), porém nunca alguém havia ido tão longe em termos de arranjos, produção, composições, execução e feeling.

O Bathory foi formado em 1983, Estocolmo, Suécia, com seu mentor Quorthon (guitarras e vocais) e dois outros músicos advindos da cena punk hardcore escandinava. Encerrou suas atividades com o falecimento de Quorthon em 07/06/2004 e apresentava um diferencial importante em seus álbuns: evolução.
Mas a guinada neste Hammerheart em relação aos seus 4 álbuns anteriores foi muito radical. Lembro-me como se fosse hoje o dia em que adquiri este vinil (capa dupla) na Galeria do Rock em SP na loja “Rainbow Records” (do grande Nunes) em 1990 mesmo... Fiz a seguinte pergunta: “Como está o Bathory novo?” A resposta foi: “Virou progressivo!” Guardadas as devidas proporções foi isso mesmo o que aconteceu pois as composições passaram a ser mais longas, cadenciadas e com muito peso aliado a vocais melódicos, violões, backing vocais épicos, e muitos efeitos sonoros inovadores (pássaros, pegadas, cavalos, entre outros).

De “Shores in Flames” até “One Road To Asa Bay” (que teve até vídeo na MTV), o ouvinte se depara com momentos inesquecíveis. É como se fosse um filme transformado em música. Esse é um álbum para se ouvir concentrado e com os olhos fechados para vivenciar o clima que Quorthon musicou para nós.

O Bathory apresentaria sua evolução máxima em seu próximo álbum “Twilight of the gods” (1991), um Heavy Metal com muita influência de música clássica e romântica, citando compositores alemães Beethoven, Wagner e o filósofo Nietzsche.

Dedico esse post a meu filho Pedro, nascido em 18/11/08 as 6h45, cujo nome homenageia tantos geniais Pedros e Peters que estiveram e estão entre nós: Pedrinho (RIP) e Pedrão (Som Nosso de Cada Dia) e os Peters: Hammill (VdGG), Gabriel (Genesis), Bardens (Camel), Banks (Yes, Flash), Criss (Kiss), Green (Fleetwood Mac), Baumann (Tangerine Dream), Cushing, Lorre e Fonda (cinema), Frampton (Humble Pie), Blegvad (Henry Cow) entre inúmeros outros traídos pela minha memória...

From “Father To Son”... Bem vindo Pedro!

Agradecimento a Bruno Gonzalez pelo link já publicado no blog “Combe do Iommi” ora reproduzido, porque eu não teria tempo de ainda hoje ripar meu CD e postá-lo.

Músicas:
1) Shores in flames
2) Valhalla
3) Baptised in fire and ice
4) FATHER TO SON
5) Song to hall up high
6) Home of once brave
7) One road to Asa Bay
8) Outro

Músicos:
Quorthon: vocais, guitarras, violões e teclados.
Kothaar: baixo.
Vvornth: bateria e percussão.

Download

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Satanic Rites

Satanic Rites - No Use Crying (1987)

"Satanic Rites: mesmo?"


Poucas são as informações que obtive a respeito dessa banda inglesa formada em 1980 no condado de Yorkshire e uma das inúmeras participantes do movimento New Wave Of British Heavy Metal (NWOBHM).


Inicialmente lançaram um single com duas musicas em 1981 (Live to Hide / Hit and Run) e mais dois álbuns, “Wich Way The Wind Blows (1985)” e este ora postado “No Use Crying (1987)”.
Sua sonoridade tende mais para o Hard Rock comercial dos anos 80 do que para um Heavy Metal mais clássico a lá Angel Witch ou Witchfinder General, por exemplo. A vocalista, bem de longe, lembra-nos um King Diamond menos inspirado. Apesar do nome da banda e/ou capa do disco ter influencias “satânicas” não acredito que seus integrantes levassem isso mais a sério em suas letras, pois não há muita clareza sobre isso em suas musicas ou nos cantos proferidos pela Deborah Webster.
Não possuo o álbum original, sendo este baixado acidentalmente há alguns anos atrás no E-Mule.
Em suma, é algo diferente e até mesmo raro, tanto quanto inúmeras bandas daquela época de ouro do renascimento do Heavy Metal no inicio da década de 80, após seu momentâneo enfraquecimento devido à invasão Disco e em seguida do Punk na década de 70. Mas se esse álbum tivesse saído em 1980 ao invés de 1987 acredito que a banda seria mais lembrada (ou menos esquecida) hoje em dia!
Caso alguém tenha mais a dizer sobre essa banda, comentários são bem vindos!
Musicas:
01- Good times now
02- Never so easy
03- Borderline
04- Song for Stuart
05- Pain of confusion
06- Changling
07- Woman of mystery
08- Cast my spell
09- Here comes the war
10- No use crying

Músicos:
Deborah Webster - Vocais
David Ingham - Baixo
Stuart Page - Guitarrras
David Kershaw - Bateria
Kevin Doyle - Teclados

http://www.megaupload.com/?d=Q76XLBN2

sábado, 15 de novembro de 2008

Miriodor

Miriodor – 3e Avertissement (1991)

“Como apenas três músicos conseguiram mesclar Soft Machine, Van Der Graaf Generator e Univers Zero num único álbum?”


Perguntemos ao Miriodor, que também é um conjunto de Rock In Opposition, formado em 1980 na Quebec City, Canadá.

Esse é seu terceiro trabalho e suas músicas, apesar de complexas e instrumentais (à base de saxofones, sintetizadores e bateria) soam mais acessíveis aos nossos ouvidos em comparação com outros trabalhos mais radicais do gênero, ou seja, aqueles aos quais os ouvintes menos habituados (ou até mesmo aos que não gostam de improvissos excessivos) classificam de músicas sem início, meio e/ou fim...

O sax de Sabin Rudon assume o papel de “vocalista” no álbum, onde também divide os solos com os sintetizadores de Pascal Globensky. Reparem que alguns solos de sintetizadores são muito influenciados pela guitarra “frippeana” (que escola Robert Fripp, um gênio, diga-se de passagem, fez...) As músicas, em se tratando de rock progressivo, têm de curta duração à média duração, mas nem por isso deixam de agradar aos apreciadores mais exigentes do estilo.

O conjunto possui 6 álbuns, sendo o primeiro (Reencontres) gravado em 1986 (e lançado em 98) e o último, e ao vivo, em 2005.

Um detalhe, esse álbum que ora posto saiu com seu título em francês (3e Avertissement) e também em inglês (Third Warning) assim como os títulos de suas músicas, mas ao ripá-lo optei pelos nomes originais em francês. Porquê? Humilde homenagem ao Miriodor e pelo francês falado em Quebec!

Então, aos que curtem o estilo ou aos que queiram conhecer algo diferente, aventurem-se!

Músicas:
01- Transsibérien (5:06)
02- Language De Lézard (2:04)
03- Guarde à Vous! (1:44)
04- Jérusalem (4 :22)
05- Cortege (3:53)
06- Vision (3:54)
07- Entraperçu (3 :14)
08- Réconfort Métaphysique (2:39)
09- 3e Avertissement (5:05)
10- Debout (4:15)
11- Viking (4:32)
12- Chute Libre (3:19)

Músicos:
Pascal Globensky: pianos e sintetizadores;
Sabin Hudon: Saxofones e sintetizadores;
Remi Leclerc: Bateria, percussão e sintetizadores.

Link: http://www.megaupload.com/?d=Q9GRVDC8

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Present

Present – Le Poison Qui Rend Fou (1985)

“O álbum que o Robert Fripp gostaria de ter feito no King Crimson após o “Red”?

Outro excelente conjunto belga de Rock In Opposition (ou seja, Rock Progressivo de Vanguarda).

Para aqueles que curtiram o post do Univers Zero “Heresie”, creio que não se desapontarão com este álbum, embora não siga necessariamente o mesmo estilo... Vale frisar que o Present foi fundado logo após a saída do guitarrista Roger Trigaux do Univers Zero em 1979, sendo o já citado “Heresie” sua última gravação com o UZ.

O Present lançou seu primeiro (ótimo) álbum “Triskaidekaphobie“ em 1980 e após um hiato de quase 5 anos retornam com este excepcional “Le Poison Qui Rend Fou”. Realmente um trabalho muito “envenenado” com jazz, musica clássica e rock de primeira linha!

O álbum é preponderantemente instrumental, com intrincadas passagens de piano, guitarras ora limpas ora distorcidas com solos “king crimsonianos” e bateria cirurgicamente precisa, esta ultima comandada pelo líder do Univers Zero, o percussionista e tecladista Daniel Denis. Apenas a primeira música possui vocais, em esquema operístico, comandadas por uma mezzo soprano (!?), as demais são instrumentais.

Atualmente o grupo está em atividade e, desde 1980, contabiliza seis trabalhos de estúdio e dois ao vivo. Para o inicio de 2009 também está previsto um novo álbum de estúdio. Interessante citar que Reginald Trigaux (filho do Roger) desde os anos 90 também faz parte da banda, em suma, tal pai tal filho!

Tenho apenas seus dois primeiros álbuns e, por hora, posto o segundo. Pegando emprestado uma palavra do brother Dead Or Alive (do blog lagrimapsicodelica), “enjoy”!!!!


Músicas:

1) Le poison qui rend fou, part 1 - Ram ram va faire piff paff (15:23)
2) Ersatz (5:09)
3) Le poison qui rend fou, part 2 - Didi, dans ta chambre! (9:41)
4) Samana (9:14)


Músicos:

Roger Trigaux: guitarras;
Alain Rochette: pianos e sintetizadores;
Daniel Denis: bateria e percussão;
Ferdinand Philippot: baixo;
e (convidada) Marie-Anne Polaris: vocais (faixa 1).

Link: http://www.megaupload.com/?d=EJ5EDV4M

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Univers Zero

Univers Zero – Heresie (1979) – A trilha sonora do filme de horror cujo roteiro ninguém ainda teve gabarito para escrever...


Temos aqui uma obra atemporal, original e única, dentro do conceito de musica progressista tétrica.

O conjunto é belga, um dos participantes do movimento RIO (Rock In Opposition) o qual iniciou-se com um concerto em Londres (1978) cujo slogan era “5 conjuntos que a industria da musica não quer que vocês os ouçam”. Os demais conjuntos eram Henry Cow (Inglaterra), Etron Fou Leloublan (França), Stormy Six (Itália) e Samlas Mammas Manna (Suécia). Em resumo, conjuntos de Rock Progressista de vanguarda, uma vez que os grupos precursores do estilo, na época, guinavam para uma tendencia mais comercial (ELP, Genesis, Yes e Pink Floyd, por exemplo).

Este álbum, com apenas 3 faixas, mas com mais de 50 min é fundamentado em principalmente orgao, harmônio e baixo como instrumentos de base. As incursões solistas passam por violinos, violas, fagote e percussão fantástica do líder Daniel Denis. Ouçam as 3 faixas em ordem, de preferência iniciando a meia noite e com as luzes apagadas... Tirem suas conclusões... Comentários são bem vindos!

Agradecimentos ao físico, jornalista, escritor e critico musical Valdir Montanari por ter feito uma matéria (ousada) sobre esse disco numa Rock Brigade no inicio da década de 90. O titulo deste post também é dele!

Dedico este post a Putavéia pelos excelentes posts no http://lagrimapsicodelica.blogspot.com/ !


Músicas (ou rituais de exorcismo...):

1) La Faulx (25:15) [Denis]
2) Jack The Ripper (13:27) [Denis & Trigaux]
3) Vous Le Saurez En Temps Voulu (12:54) [Trigaux]


Músicos:

Michael Berckmans: fagote e oboé.
Daniel Denis: bateria e percussão.
Patrick Hanappier: violino e viola.
Guy Segers: baixo e vocal.
Roger Trigaux: guitarra, piano, orgao e harmonio.